Falta feijoada na minha fome

Quarta-feira é dia de quê? De feijoada, gente! Toda equipe sabe que o almoço de quarta-feira sugere uma feijoada. A gente vai até mais feliz ao trabalho sabendo disso.

E, com tantos restaurantes próximos para ir, decidimos por aquele que, segundo a indicação de uma colega, tinha a melhor “feijoca” da região por um preço bastante justo. “Mas tem que ir cedo! Porque lá lota, hein” – ela nos alertou.

E não é que, às 12h01, estávamos todos nós amontoados no elevador como se fosse o último bote salva-vidas do Titanic rumo ao tal do restaurante? Demos sorte! Ainda tinha lugar quando chegamos.

Enquanto esperávamos a comida, conversamos sobre muitas coisas: trabalho, família, tendências, consumo, política, nutrição, aconselhamentos de médicos, comportamentos alheios, vidas alheias… e nada de a comida chegar. Passados quarenta minutos e mais de três reclamações sobre a demora, a irritação começou a dominar nossas mentes. Pelo que percebemos, a situação estava crítica também em outras mesas… e também entre as atendentes, que não sabiam mais como lidar com a demanda.

– Calma, gente! Vou buscar a nossa refeição na cozinha e já volto! – Eu disse em tom de brincadeira, para quebrar aquele clima.

– Duvido! – Me desafiou outra colega.

Acabei me lembrando do empreendedor Jia Jiang, um chinês radicado nos Estados Unidos que, para superar o medo da rejeição, determinou que, durante 100 dias, faria pedidos absurdos só para receber um “não” e lidar com isso. As histórias foram filmadas e registradas no site https://www.rejectiontherapy.com/100-days-of-rejection-therapy/. (Dica: a da Southwest é a melhor.)

Mas, diferente dele, eu não fiz nenhum pedido (deveria, né?).  Respirei fundo, tomei coragem, me levantei, entrei na cozinha e perguntei:

– Falta muito para meu prato ficar pronto?

Quando dei por mim, estava vermelha de vergonha. Voltei para a mesa correndo. Meus colegas estavam rindo às gargalhadas, incrédulos com minha atitude.

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Imaginem só se todos os clientes que estavam na mesma situação (e não eram poucos) decidissem fazer o mesmo? Seria uma imitação do ataque dos zumbis do seriado The Walking Dead na cozinha daquele restaurante. Imagino a equipe se defendendo, com colheres de pau e frigideiras.

Apesar da vergonha, achei que a experiência valeu a pena por dois motivos: transformei o sentimento de irritação dos meus colegas em risadas, e testei a reação do atendimento do restaurante.  Em vez de me repreender (e, se me repreendessem, eu não tiraria a razão deles), eles entraram na brincadeira.

Alguns (poucos) minutos depois, a atendente entregou nossa refeição, com um sorriso e dizendo:

– É aqui que tem gente com fome? Desculpe a demora, mas a chef está de férias e a equipe da cozinha está um pouco confusa hoje.

Jamil Albuquerque, em seu livro A arte de lidar com pessoas, escreve:

“O que diferencia as pessoas bem-sucedidas das medianas é a forma com que lidam com suas emoções e principalmente com outras pessoas.”

Acho que posso fazer uma adaptação na frase para essa história:

“O que diferencia um bom atendimento é a forma com que as empresas lidam com suas emoções e, principalmente, com as de seus clientes”.

Com certeza, todo mundo já se irritou com a demora de um prato em um restaurante. O que você fez e qual foi a reação do atendimento? Conta para nós aqui!

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