Relatos da compra de um carro novo. Parte um: Quando a recepção não te recepciona.

Chega um momento em que trocar de carro não é uma questão de ostentação (pelo menos não no meu caso). Acontece que meu carrinho, que me acompanhou em tantos momentos marcantes da minha vida, estava dando fortes sinais de desgaste físico.

Então, antes que começassem as faturas (de consertos e de troca de peças) e as imobilizações na garagem, decidi que era a hora de substituí-lo. Queria um carrinho pequeno, econômico e confortável para locomoção na cidade.

Como não fazia ideia do que seria possível comprar com os recursos disponíveis, achei que seria melhor começar minha pesquisa na internet para conhecer as ofertas, comparar os modelos e verificar os comentários nas mídias sociais. Também fui buscar mais informações em revistas e jornais.  Tá pensando o quê? Que é fácil ser cliente? É preciso estudar para não fazer um mau negócio.

Escolhi três modelos de diferentes marcas para conhecer pessoalmente (e testar) e lá fui eu!

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Ao chegar à primeira concessionária, passei por um grande mico. Mico, não. Um gorila! Tropecei no tapete e em passos largos, rápidos e desengonçados cheguei à recepção.  Apesar da escandalosa entrada, a recepcionista fingiu não perceber a minha presença. Ela falava ao telefone, passando informações a outro cliente. Nesse momento pensei: “Puxa, eu me desloco até aqui, quase me arrebento, e o cliente que está no telefone tem mais atenção que eu? Custava me dar um sorriso e fazer um sinal de que já me atendia?”

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Sinceramente, não entendo a existência de uma recepção dentro de uma loja. Tentei me lembrar de outra loja que não fosse de carro que tivesse recepcionista na entrada. Não consegui. Se você, leitor, souber, por favor, me informe.

Acho que uma recepção logo na entrada intimida o cliente, porque não permite que ele entre sem ter que se apresentar. Mas o mais irritante é planejar um encaixe na estressante rotina e nem ser atendido pelo primeiro contato humano. Aqui a recepcionista faz tudo, menos recepcionar quem chega. Então para que ter recepcionista? Não é mais fácil contratar uma telefonista e instalá-la em outro lugar que não seja a entrada?

Eu só queria conferir, conhecer e testar um modelo de veículo! Todos os dias somos bombardeados com comandos do tipo “venha nos visitar”. Só que, ao chegar, não recebemos a devida atenção. Assim, estava pronta para ir embora, quando finalmente a recepcionista me dirigiu a palavra:

– Boa tarde, posso ajudar?

– Sim. Eu estou interessada no modelo Alpha!

– Claro! Vou chamar o vendedor. Por favor, fique à vontade na sala de espera.

Naquela sala tinha uma máquina de café. Entre tantas opções de bebidas quentes que ela dispunha, apertei o botão que oferece um simples café. “Oferece”? “Oferece” uma ova! Tem que pagar. Mas que concessionária mais mão de vaca!

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Catei algumas moedas no bolso e paguei o café. E, com metade do que sobrou dele (acabei demorando para colocar o copinho), me sento em um sofá perto de uma televisão, que passava notícias da situação econômica do país. Uma desgraça só! Entre a alta da taxa de desemprego, dos juros e do dólar… a mais gritante era a alta da minha vontade de sair correndo de lá.

Como aquele não era um bom dia para se comprar carro, decidi retomar essa tarefa outro dia. E em outra concessionária.

Comprar um carro, além do custo financeiro, tem um custo psicológico. Significa se endividar e depositar as economias para dar entrada no financiamento. Quem quer fazer um mau negócio? Então, o risco de arrependimento deve ser eliminado. Portanto, péssima ideia colocar o cliente em frente de televisão que só passa desgraça.

Além disso, ignorar o cliente quando ele entra na loja é muito desagradável. Se ele não é bem recebido no momento da compra, como será no momento da primeira, segunda ou terceira revisão?

Você, leitor, como se sente ao entrar numa concessionária de veículos? Se teve uma boa experiência, conte para nós. Seu comentário será muito importante para explicar como se deve recepcionar um cliente com categoria.

Como trocar de carro não é uma coisa que a gente faz sempre (de novo, não no meu caso), decidi contar a história em partes. Esta foi a primeira. Na próxima, descrevo em detalhes a experiência do test drive. E que experiência!

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2 Resultados

  1. Claudia
    Creio que o ocorrido é comportamento comum nas recepções não somente de
    Concessionárias de veiculos. É rotineiro essa falta de treinamento das recepcionistas que nao recepcionam. Mas há exceções. Tenho percebido que as drograrias de grandes redes estão focadas em treinamento. Inclusive instalaram avaliadores nos caixas. Será que acordaram que o bom tratamento é o diferecial numa época de concorrência acirrada por preços e ofertas para atrair clientes?

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