Como alguns vendedores te enxergam quando você entra na loja

Entre o escritório e os lugares aonde vou para almoçar, existe uma loja de cosméticos nacionais e importados. Apesar de a loja ter um ambiente muito descolado, toda vez que eu passava em frente, via pouca gente entrando. E as poucas que entravam saíam com as mãos vazias.

Certo dia, voltando para casa, decidi entrar naquela loja para ver se eles tinham um determinado shampoo, que não se encontra em qualquer lugar. Entrei já com os olhos voltados para uma estante iluminada, cheia de frascos bacanas.

– Olá, posso te ajudar? – perguntou um senhor que me parecia ser o proprietário.

– Sim, você tem o shampoo da marca XX?

– Tenho, sim. É este aqui. – respondeu apontando para o produto.

– É esse mesmo.

Após perguntar o preço, decidi levar.

– Você já conhece esse outro produto?

– Não. O que é?

– É um desodorante fantástico.

Fiquei um pouco sem graça. Seria uma indireta? Será que eu estaria exalando algum odor desagradável? Justo eu, que adoro um perfuminho…

– Vou levar só o shampoo mesmo.

– Mas e esse sabonete? – insistiu o homem.

Devo estar fedida mesmo, hein! Primeiro o desodorante, agora o sabonete.

– Sente o cheiro! Esse é de alecrim com pétalas de rosas – falava o cidadão, com o sabonete no meu nariz. – Tem esse outro também: de mel e aveia. E esse outro… mais aquele…

– Realmente, os sabonetes são muito perfumados, mas…

– Maria, pega uma amostra para ela. – deu a ordem para outra atendente.

– Ah! Obrigada! Se for realmente tão bom quanto o cheiro, volto para comprar em outra ocasião.

– Você conhece essa linha de hidratante? – de novo outra oferta.

Antes que ele começasse a abrir todas as tampas dos frascos de hidratante para esfregar no meu nariz, eu disse:

– Olha! Vou levar só o shampoo! Se quiser me dar o hidratante, eu aceito. Mas não vou comprar mais nada que não seja o que eu preciso.

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Agora eu sei por que a loja está sempre vazia. Foi muito desagradável me sentir um alvo de vendas! E também não sei se terei coragem de voltar a essa loja. Não! Tenho certeza de que não voltarei. Agora entendo a preferência de muita gente por comprar on-line.

Quem é que nunca se sentiu “assediado” numa situação de compra? Há gestores de vendas que estimulam a equipe a agir dessa forma agressiva. Mas isso não é ter empatia com o cliente. É tratá-lo meramente como meio de atingir a meta.

Numa parte do livro “Os segredos das empresas mais queridas”, de Rajendra Sisodia (um guru do marketing do capitalismo consciente), encontramos as seguintes afirmações:

“Já saímos do século XX, porém, você jamais diria isso se visse muito do marketing que ainda está sendo feito, sete anos depois de termos entrado no século XXI…”– Ah! Esse livro foi publicado em 2008. Portanto, minha experiência ocorreu 15 anos depois do início do século XXI.

“O principal paradigma de marketing do século XX foi a utilização de técnicas agressivas de promoção e venda, colocando os objetivos dos vendedores acima das necessidades reais dos clientes.”

Obrigada, Rajendra Sisodia! É isso mesmo! Muitos vendedores ainda utilizam técnicas do século passado, sem perceber que, por trás de uma carteira ambulante, tem uma alma com necessidades, que estão longe de ser meramente encher o bolso deles.

 

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