Isso é teoria da conspiração? Ou apenas da “piração”?

Antes eram as paredes que tinham ouvido. Mas paredes não se movem. Se é analógico… não tem graça. Na era digital, é melhor trocar as paredes por um smartphone. Ele é tão importante nas nossas vidas que não acredito que alguém consiga respirar sem a ajuda de um desses aparelhos.

Por estar conosco (quase que colado em nossa pele) em todos os momentos, até naqueles de extrema intimidade, o celular passou a ser a coisa que mais nos entende. Os publicitários descobriram isso. E as plataformas também. Assim como os aplicativos. E foi com essa panaceia toda que passamos a deixar rastros de tudo que fazemos, pensamos e sentimos. Ou seja, tudo que pode ser lido, falado, ouvido ou escrito… vira BIT.

A verdade é que nos sentimos muito mais à vontade para nos revelar para os algoritmos. O Google, por exemplo, será o primeiro a ficar sabendo sobre a suspeita de hemorroida de alguém (bem à frente do cônjuge, dos familiares ou do médico).

Outro dia uma amiga estava intrigada com o fato de receber uma enxurrada de ofertas de hotéis, voos e pacotes turísticos para a Patagônia. Durante um jantar, ela e o marido haviam decidido que esse seria o destino das próximas férias. Era “Patagônia para cá” e “Patagônia para lá” durante toda a conversa. E na manhã seguinte começou o bombardeio. Aonde quer que ela fosse dentro do mundo virtual, lá vinha uma oferta de ida para a Patagônia.

Há quem diga que os aplicativos estão nos escutando, mesmo quando não são ativamente acionados. É o que defende Scott Galloway, autor do livro Os Quatro:

“O que sabemos é que o Facebook pode de fato escutar às escondidas os ruídos captados pelo microfone de seu celular. Isso significa que o Facebook pode passar esse ruído por um software de inteligência artificial e saber o que está fazendo e com quem (e até o que as pessoas ao redor de vocês estão dizendo).”

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Facebook safadinho! Fica bisbilhotando a nossa conversa para vender anúncios altamente personalizados. Mas peraí, gente! Se plataformas como Google, Facebook e Amazon têm esse poder todo, como é possível que ainda aconteçam ataques terroristas ou crimes premeditados?

Na sabatina do dia 10/04/2018, Mark Zuckerberg negou em depoimento ao Congresso Americano que o Facebook utilize o mecanismo de áudio dos dispositivos móveis para coletar mais informações pessoais sobre os usuários. Segundo ele, isso não passa de uma teoria da conspiração.

Por mais que a tecnologia esteja avançando em uma velocidade sem precedentes, acho que as plataformas (ainda) não estão no nível de escutar bilhões de usuários, que interagem entre si em diversas línguas (com expressões próprias de cada cluster), para, então, proporcionar aos patrocinadores o melhor momento de apresentar uma oferta (embora eu esteja sendo, neste exato momento, impactada por uma promoção de malas e bolsas. Como foi mesmo que eles descobriram que as alças da minha mochila estão quase arrebentadas?).

Mas há empresas que exageram no uso dos recursos do marketing digital. Quando você pensa que está fazendo uma simples pesquisa de produto, eis que começam a te seguir. Basta você clicar em algo, que logo vem um pop-up dando as caras. Às vezes nem precisa clicar! O localizador do seu aparelho pode enviar mensagens publicitárias quando se aproxima de algum estabelecimento. Parece que colocaram um alvo nas suas costas enquanto você caminha.

Se, segundo Bill Gates, conteúdo é rei, há quem diga que contexto é Deus! Nada melhor que entender um contexto para enviar mensagens apropriadas. Na era digital, a informação vale mais que petróleo. E o fato de ser monitorada me dá a sensação de estar no videoclipe do clássico “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd. Uia!

Alguma vez você se sentiu vigiad@? Conte aqui como foi. Qual seria sua sugestão para que as empresas evitassem causar esse desconforto? É muito importante nós sinalizarmos como nos sentimos, gente.

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